{"id":909,"date":"2021-05-17T12:22:20","date_gmt":"2021-05-17T15:22:20","guid":{"rendered":"https:\/\/advocaciacarlosaraujo.com.br\/?p=909"},"modified":"2021-05-17T12:22:23","modified_gmt":"2021-05-17T15:22:23","slug":"plano-de-recuperacao-nao-pode-suprimir-garantias-sem-autorizacao-do-credor-decide-segunda-secao-do-stj","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/advocaciacarlosaraujo.com.br\/index.php\/2021\/05\/17\/plano-de-recuperacao-nao-pode-suprimir-garantias-sem-autorizacao-do-credor-decide-segunda-secao-do-stj\/","title":{"rendered":"Plano de recupera\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode suprimir garantias sem autoriza\u00e7\u00e3o do credor, decide Segunda Se\u00e7\u00e3o do STJ:"},"content":{"rendered":"\n<p>Por maioria, a Segunda Se\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) decidiu que a anu\u00eancia do titular da garantia real ou fidejuss\u00f3ria \u00e9 indispens\u00e1vel para que o plano de recupera\u00e7\u00e3o judicial possa estabelecer a sua supress\u00e3o ou substitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para os ministros, a cl\u00e1usula que estende a nova\u00e7\u00e3o aos coobrigados s\u00f3 tem efeito para os credores que aprovaram o plano de recupera\u00e7\u00e3o sem nenhuma ressalva, n\u00e3o sendo eficaz, portanto, em rela\u00e7\u00e3o aos que n\u00e3o participaram da assembleia geral, que se abstiveram de votar ou se posicionaram contra tal disposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O caso analisado pelo colegiado tratou de pedido de recupera\u00e7\u00e3o judicial de tr\u00eas empresas. Depois de aprovado pela maioria, o plano foi questionado por um dos credores, que sustentou a ilegalidade de alguns pontos, entre eles a extin\u00e7\u00e3o das garantias.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Recurso repetitivo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O relator do recurso na Segunda Se\u00e7\u00e3o, ministro Villas B\u00f4as Cueva, explicou que, ap\u00f3s a aprova\u00e7\u00e3o da Lei de Recupera\u00e7\u00e3o e Fal\u00eancia (Lei 11.101\/2005), a jurisprud\u00eancia se firmou no sentido de que a nova\u00e7\u00e3o nela prevista difere daquela disciplinada pelo C\u00f3digo Civil, n\u00e3o atingindo as garantias prestadas por terceiros.<\/p>\n\n\n\n<p>O ministro lembrou ainda que a quest\u00e3o foi sedimentada no STJ com o julgamento do&nbsp;<a href=\"https:\/\/processo.stj.jus.br\/processo\/revista\/documento\/mediado\/?componente=ITA&amp;sequencial=1370897&amp;num_registro=201201422684&amp;data=20150202&amp;peticao_numero=-1&amp;formato=PDF\"><strong>REsp 1.333.349<\/strong><\/a>, o qual, sob o rito dos&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.stj.jus.br\/sites\/portalp\/Processos\/Repetitivos-e-IACs\/Saiba-mais\/Sobre-Recursos-Repetitivos\"><strong>repetitivos<\/strong><\/a>, firmou a tese de que a recupera\u00e7\u00e3o judicial do devedor principal n\u00e3o impede o prosseguimento das a\u00e7\u00f5es e execu\u00e7\u00f5es ajuizadas contra terceiros devedores solid\u00e1rios ou coobrigados em geral, por garantia cambial, real ou fidejuss\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, segundo o relator, \u00e9 predominante o entendimento de que a nova\u00e7\u00e3o decorrente da concess\u00e3o da recupera\u00e7\u00e3o afeta somente as obriga\u00e7\u00f5es da recuperanda \u2013 devedora principal \u2013, constitu\u00eddas at\u00e9 a data do pedido, n\u00e3o havendo nenhuma interfer\u00eancia quanto aos coobrigados, fiadores, obrigados de regresso e, especialmente, aos avalistas, dada a autonomia do aval.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o ministro, n\u00e3o h\u00e1 nulidade em cl\u00e1usulas com previs\u00e3o de supress\u00e3o das garantias, mas elas n\u00e3o podem ser impostas \u00e0queles que n\u00e3o concordaram expressamente com sua inclus\u00e3o no plano de recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Inexistindo manifesta\u00e7\u00e3o do titular do cr\u00e9dito com inequ\u00edvoco \u00e2nimo de novar em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s garantias, n\u00e3o se mostra poss\u00edvel afastar a expressa previs\u00e3o legal de que a nova\u00e7\u00e3o n\u00e3o se estende aos coobrigados (artigo 49,&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2004-2006\/2005\/lei\/l11101.htm#art49%C2%A71\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>par\u00e1grafo 1\u00ba<\/strong><\/a>, da Lei 11.101\/2005). De fato, nos termos do&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2002\/l10406.htm#art361\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>artigo 361<\/strong><\/a>&nbsp;do C\u00f3digo Civil, a nova\u00e7\u00e3o n\u00e3o se presume, dependendo da constata\u00e7\u00e3o do inequ\u00edvoco&nbsp;<em>animus novandi<\/em>&#8220;, destacou.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Condi\u00e7\u00f5es originais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O magistrado acrescentou que o artigo 49,&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2004-2006\/2005\/lei\/l11101.htm#art49%C2%A72\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>par\u00e1grafo 2\u00ba<\/strong><\/a>, da Lei 11.101\/2005, ao mencionar que as obriga\u00e7\u00f5es observar\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es originalmente contratadas, salvo se de modo diverso ficar estabelecido no plano, est\u00e1 se referindo a des\u00e1gios, prazos e encargos, e n\u00e3o a garantias.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Assim, o plano pode estabelecer prazos estendidos de pagamento, parcelamento dos cr\u00e9ditos, des\u00e1gios, e alterar as taxas de juros, por exemplo, mas n\u00e3o suprimir garantias sem autoriza\u00e7\u00e3o do titular&#8221;, observou.<\/p>\n\n\n\n<p>Villas B\u00f4as Cueva apontou ainda que a Lei de Recupera\u00e7\u00e3o e Fal\u00eancia \u00e9 clara ao estabelecer, no artigo 50,&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2004-2006\/2005\/lei\/l11101.htm#art50%C2%A71\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>par\u00e1grafo 1\u00ba<\/strong><\/a>, que, na aliena\u00e7\u00e3o de bem objeto de garantia real, a supress\u00e3o da garantia ou sua substitui\u00e7\u00e3o somente ser\u00e3o admitidas mediante aprova\u00e7\u00e3o expressa do credor.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Onera\u00e7\u00e3o excessiva<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para o magistrado, n\u00e3o resta d\u00favida acerca da imprescindibilidade de anu\u00eancia do titular da garantia para a hip\u00f3tese de sua supress\u00e3o. Ele tamb\u00e9m ressaltou que a regra geral da lei \u00e9 que a nova\u00e7\u00e3o atinge apenas as obriga\u00e7\u00f5es da sociedade em recupera\u00e7\u00e3o, com expressa ressalva das garantias concedidas aos credores.<\/p>\n\n\n\n<p>Villas B\u00f4as Cueva disse ainda que o legislador previu novas formas de financiar a empresa em crise, n\u00e3o havendo justificativa para a onera\u00e7\u00e3o excessiva dos credores com garantia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Solu\u00e7\u00e3o em sentido contr\u00e1rio, ou seja, a submiss\u00e3o ao plano de recupera\u00e7\u00e3o de credores que votaram contra a cl\u00e1usula que prev\u00ea a exclus\u00e3o de garantias, importa verdadeira afronta \u00e0 seguran\u00e7a jur\u00eddica e seus consect\u00e1rios, visto que um credor que concede cr\u00e9dito e recebe em troca uma garantia, certamente precisa de seguran\u00e7a m\u00ednima de que essa garantia ser\u00e1 respeitada, mesmo em caso de recupera\u00e7\u00e3o ou fal\u00eancia, na forma como prevista na Lei 11.101\/2005&#8221;, acrescentou.<\/p>\n\n\n\n<p>O relator frisou tamb\u00e9m que o cen\u00e1rio de incerteza quanto ao recebimento do cr\u00e9dito em decorr\u00eancia do enfraquecimento das garantias \u00e9 desastroso para a economia do pa\u00eds, pois gera o encarecimento e a retra\u00e7\u00e3o da concess\u00e3o de cr\u00e9dito, o aumento do&nbsp;<em>spread<\/em>&nbsp;banc\u00e1rio, a redu\u00e7\u00e3o da circula\u00e7\u00e3o de riqueza e a desconfian\u00e7a dos aplicadores de capitais, nacionais e estrangeiros, al\u00e9m de ser nitidamente conflitante com o esp\u00edrito da Lei 11.101\/2005 e com as novas previs\u00f5es de financiamento trazidas pela Lei 14.112\/2020.\u200b<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Esta not\u00edcia refere-se ao(s)&nbsp;processo(s): <\/strong><a href=\"https:\/\/ww2.stj.jus.br\/processo\/pesquisa\/?aplicacao=processos.ea&amp;tipoPesquisa=tipoPesquisaGenerica&amp;termo=REsp%201794209\"><strong>REsp 1794209<\/strong><\/a><strong><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por maioria, a Segunda Se\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) decidiu que a anu\u00eancia do titular da garantia real ou fidejuss\u00f3ria \u00e9 indispens\u00e1vel para que o plano de recupera\u00e7\u00e3o judicial possa estabelecer a sua supress\u00e3o ou substitui\u00e7\u00e3o. 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